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  • isabellaatayde
    Isabella Henrique
    @isabellaatayde

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Diante de ti, emudeci. Todas as palavras se reduziram a sua desnecessidade. Entre olhar-te e ver-me, o tempo parou. Tardou. Espelho meus olhos nos teus, onde me vejo risonhamente muda. Também não falas, mas te ouço. Lágrimas contentes se atrevem a brotar. Seu sal molhado embebe meu rosto senil. Ao lado e em conivência, sempre ele, o mesmo imenso mar que agora ouve nossa respiração compassada. Quantos mares atravessaste para comigo ter? Suponho que os mesmos que cruzei para depositar-me aqui, sem o apuro de outrora. Antes, se houve, minha mente anciã já não guarda lembrança. É que o presente me parece mais vivo, assim sinto. Daquele passado, guardo teu sorriso, apenas dentes grandes e claros, de riso aberto e benevolente. Eras bonito. Encantada, não conseguia ver mais que boca e dentes, imaginados e sentidos em minha pele. Enrubeço. Quantas vidas nos separaram? Ou nunca nos separamos? Não restam dúvidas de haver um algo em mim que te atrela sem que estejas presencialmente. Sempre te vejo nos vultos de memória, nas sombras dos transeuntes nas ruas, na fumaça da fogueira dos idos meses de junho, na poeira vermelha das estradas do sertão, lá onde nossos ventos se encontraram para dançar e celebrar os dias pulsantes da nossa recriação. Aqui chegamos novamente recriados, satisfeitos com o tempo generoso da espera.  Respiramos em silêncio. Não vá ainda, não até que o sol se despeça. Até lá muitas coisas ainda tenho por não dizer, você bem sabe. Sorrimos, por entender que esse algo que persiste entre nós é mais sabedor que tudo o que nos envolveu. Tem(po), um algo em nós.

2018

#mulheresqueescrevem #literatura #poesia #texto #hipertexto #photography #paisagem #landscape #mar #riodejaneiro
Diante de ti, emudeci. Todas as palavras se reduziram a sua desnecessidade. Entre olhar-te e ver-me, o tempo parou. Tardou. Espelho meus olhos nos teus, onde me vejo risonhamente muda. Também não falas, mas te ouço. Lágrimas contentes se atrevem a brotar. Seu sal molhado embebe meu rosto senil. Ao lado e em conivência, sempre ele, o mesmo imenso mar que agora ouve nossa respiração compassada. Quantos mares atravessaste para comigo ter? Suponho que os mesmos que cruzei para depositar-me aqui, sem o apuro de outrora. Antes, se houve, minha mente anciã já não guarda lembrança. É que o presente me parece mais vivo, assim sinto. Daquele passado, guardo teu sorriso, apenas dentes grandes e claros, de riso aberto e benevolente. Eras bonito. Encantada, não conseguia ver mais que boca e dentes, imaginados e sentidos em minha pele. Enrubeço. Quantas vidas nos separaram? Ou nunca nos separamos? Não restam dúvidas de haver um algo em mim que te atrela sem que estejas presencialmente. Sempre te vejo nos vultos de memória, nas sombras dos transeuntes nas ruas, na fumaça da fogueira dos idos meses de junho, na poeira vermelha das estradas do sertão, lá onde nossos ventos se encontraram para dançar e celebrar os dias pulsantes da nossa recriação. Aqui chegamos novamente recriados, satisfeitos com o tempo generoso da espera. Respiramos em silêncio. Não vá ainda, não até que o sol se despeça. Até lá muitas coisas ainda tenho por não dizer, você bem sabe. Sorrimos, por entender que esse algo que persiste entre nós é mais sabedor que tudo o que nos envolveu. Tem(po), um algo em nós. 2018 #mulheresqueescrevem  #literatura  #poesia  #texto  #hipertexto  #photography  #paisagem  #landscape  #mar  #riodejaneiro 
Inundei-me
de gotas
de letras
.
.
Junto uma à outra e outras tantas, 
Palavras soltas
Boiam
.
.
Uno todas no universo de gotas tantas,
Frases úmidas 
Boiam
.
.
Ainda resistimos
neste mundo paralelo 
Que poucos existem?
.
.
Pra cumprimento de conversa,
com sílabas curtas começo 
medição tola
Frases faltam quando me despeço
.
.
É seca
É dia
Aceito a gota
Me descontrolo na enchurrada
.
.
Encharcado, 
meu corpo treme
De medo seco
.
.
Soluço de dia
Inundada de curiosidade
e desejo
.
.
2018
.
#mulheresqueescrevem #literatura #poesia #texto #hipertexto
Inundei-me de gotas de letras . . Junto uma à outra e outras tantas, Palavras soltas Boiam . . Uno todas no universo de gotas tantas, Frases úmidas Boiam . . Ainda resistimos neste mundo paralelo Que poucos existem? . . Pra cumprimento de conversa, com sílabas curtas começo medição tola Frases faltam quando me despeço . . É seca É dia Aceito a gota Me descontrolo na enchurrada . . Encharcado, meu corpo treme De medo seco . . Soluço de dia Inundada de curiosidade e desejo . . 2018 . #mulheresqueescrevem  #literatura  #poesia  #texto  #hipertexto 
Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui? Dúvida solitária brada em angústias.
Minha ida retardatária se arrasta e desanda, contradizente ao tempo afoito da fome, desmesurada nos sentidos que lhe cabem ou toma.
Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui?
Entrega se dá lenta, comovente, ancorada na presença de corpos ausentes. Entre os nossos, ainda muitos mares e sertões, águas e terras para desbravar ou apenas apreciar, com a poesia e coragem dos arrebatados e arrebatadores de plantão. 
Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui?
A meio caminho agora me vejo, entre onde estava quando nossos olhos distraídos se cruzaram e onde, neste momento, me encontro sendo atravessada por teu olhar noturno.
Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui?
Ir não é mais escolha, tornou-se predestinação. Sorte a minha de terem-me caído ao colo frases curiosas, repletas de composições de doces palavras. 
Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui?
Me dizes vou, digo-te venha e voo! Pisco para acreditar no sonho. Rio-me da tua cara de sono e eu sem pressa, no breu de nossas noites apalavradas. Pura audácia! Por elas persisto. Faminta, trago e somatizo todas as emoções, tratando de guardá-las, exclusivamente, para provar-te o quão bem me provocas. E assim, quando enfim explodo, rendida por sutis alegriazinhas, atiro ao ar, involuntariamente, as flores que me dedicas em palavras, em cada encontro e em cada despedida. 
Se ir-te ao encontro ou esperar-te aqui?
Questiono-me atenta aos delírios de quatro luas em atrevidas promessas.

2018

#mulheresqueescrevem #literatura #poesia #texto #hipetexto
Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui? Dúvida solitária brada em angústias. Minha ida retardatária se arrasta e desanda, contradizente ao tempo afoito da fome, desmesurada nos sentidos que lhe cabem ou toma. Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui? Entrega se dá lenta, comovente, ancorada na presença de corpos ausentes. Entre os nossos, ainda muitos mares e sertões, águas e terras para desbravar ou apenas apreciar, com a poesia e coragem dos arrebatados e arrebatadores de plantão. Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui? A meio caminho agora me vejo, entre onde estava quando nossos olhos distraídos se cruzaram e onde, neste momento, me encontro sendo atravessada por teu olhar noturno. Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui? Ir não é mais escolha, tornou-se predestinação. Sorte a minha de terem-me caído ao colo frases curiosas, repletas de composições de doces palavras. Ir-te ao encontro ou esperar-te aqui? Me dizes vou, digo-te venha e voo! Pisco para acreditar no sonho. Rio-me da tua cara de sono e eu sem pressa, no breu de nossas noites apalavradas. Pura audácia! Por elas persisto. Faminta, trago e somatizo todas as emoções, tratando de guardá-las, exclusivamente, para provar-te o quão bem me provocas. E assim, quando enfim explodo, rendida por sutis alegriazinhas, atiro ao ar, involuntariamente, as flores que me dedicas em palavras, em cada encontro e em cada despedida. Se ir-te ao encontro ou esperar-te aqui? Questiono-me atenta aos delírios de quatro luas em atrevidas promessas. 2018 #mulheresqueescrevem  #literatura  #poesia  #texto  #hipetexto 
Hoje senti mais um sopro do tempo. Olhei-me sem deter-me no espelho. Por um instante te vi do outro lado, se afastando com pesar do reflexo que há muito já havia deixado de ser meu. Me arrebatou um sentimento medonho de perder a ilusão de ver-te outra vez. Meu coração desalinha com a mínima ideia de não mais ler tuas habituais e escassas linhas. Por que tenho tanto receio de deixar cair no esquecimento o que de fato não existe mais? Que não lugar é esse tão importante e desmesurado que eu te permiti ocupar? Alguma satisfação foi guardada daquele nosso último encontro que não sei bem dizer nem maldizer. Dói tanto não ter tido a capacidade de reter  a totalidade de tudo o que não foi. Mas mesmo assim foi imenso. Que alegria, que maldita alegria! Sem ela agora, não vejo sentido. Tanto, que defronte ao espelho, quanto mais me aproximo de teu reflexo para alcançar-te, mas vejo afastar-te. As margens do Guadalquivir testemunharam meus sentimentos na noite de tua partida. A lua cheia olhou-me com desdém, enquanto meu corpo zunia sem rumo pelos becos da cidade velha. Meu pranto jorrava, infinito, fruto de cinco mil dias de soluços acumulados. Parecia até que eu merecia, eu acreditava. Logo eu que corri tanto, carregando a única e equivocada preocupação de chegar e deixando de vivenciar as delícias do percurso. Neste equívoco, meus anos passaram à galope, tua imagem esvaiu-se feito areia fina, poeiril, soprada pelo vento, entre os dedos. Em certas ocasiões, na tua cama de infância, deitei-me. Insone, vaguei pelo teu passado. Tantas ausências e ainda sou capaz de reconhecer-te em tudo. Desde os trejeitos mais corriqueiros, teu andar com as mãos no bolso, teus dedos de violonista sustentando o cigarro, teu olhar morno me observando timidamente, um sorriso camuflado que não esconde alguma admiração. Ontem sem acasos ouvi as canções que você dedicou para mim e dancei. Te evoquei em silêncio e movimento, porém, já era tarde. Nem pela ilusão de ver-te refletido te alcancei. (Continua no comentário)

#mulheresqueescrevem #poesia #literatura #texto #hipertexto
Hoje senti mais um sopro do tempo. Olhei-me sem deter-me no espelho. Por um instante te vi do outro lado, se afastando com pesar do reflexo que há muito já havia deixado de ser meu. Me arrebatou um sentimento medonho de perder a ilusão de ver-te outra vez. Meu coração desalinha com a mínima ideia de não mais ler tuas habituais e escassas linhas. Por que tenho tanto receio de deixar cair no esquecimento o que de fato não existe mais? Que não lugar é esse tão importante e desmesurado que eu te permiti ocupar? Alguma satisfação foi guardada daquele nosso último encontro que não sei bem dizer nem maldizer. Dói tanto não ter tido a capacidade de reter a totalidade de tudo o que não foi. Mas mesmo assim foi imenso. Que alegria, que maldita alegria! Sem ela agora, não vejo sentido. Tanto, que defronte ao espelho, quanto mais me aproximo de teu reflexo para alcançar-te, mas vejo afastar-te. As margens do Guadalquivir testemunharam meus sentimentos na noite de tua partida. A lua cheia olhou-me com desdém, enquanto meu corpo zunia sem rumo pelos becos da cidade velha. Meu pranto jorrava, infinito, fruto de cinco mil dias de soluços acumulados. Parecia até que eu merecia, eu acreditava. Logo eu que corri tanto, carregando a única e equivocada preocupação de chegar e deixando de vivenciar as delícias do percurso. Neste equívoco, meus anos passaram à galope, tua imagem esvaiu-se feito areia fina, poeiril, soprada pelo vento, entre os dedos. Em certas ocasiões, na tua cama de infância, deitei-me. Insone, vaguei pelo teu passado. Tantas ausências e ainda sou capaz de reconhecer-te em tudo. Desde os trejeitos mais corriqueiros, teu andar com as mãos no bolso, teus dedos de violonista sustentando o cigarro, teu olhar morno me observando timidamente, um sorriso camuflado que não esconde alguma admiração. Ontem sem acasos ouvi as canções que você dedicou para mim e dancei. Te evoquei em silêncio e movimento, porém, já era tarde. Nem pela ilusão de ver-te refletido te alcancei. (Continua no comentário) #mulheresqueescrevem  #poesia  #literatura  #texto  #hipertexto 
Madruguei, calcei os chinelos e saí sem a promessa cumprida de café da manhã. Com destino incerto, buscava algum lugar para esconder a minha tristeza. Tomei a primeira rua ignorando seu nome, atravessei becos e esquinas cansadas de noites passadas, as portas dos estabelecimentos entreabertas, ainda em preparo para o dia que tarda em começar. Meu corpo moído de cama mal acolhida, cabelos alvoroçados, no rosto, o que sobrou de resignação. Eu só queria um lugar bem escondido para guardar minha tristeza, a única que me acompanha, até nos momentos mais felizes. Escolho transitar pela praça principal, onde já se podia compartilhar espaço com os primeiros transeuntes do dia, idosos que economizam horas de sono e moradores de rua, mais que acostumados com almas como a minha, que vagam sem acertar. Logo adiante, vestígios de festejos alheios, balões de ar coloridos, desprezados certamente por um desavisado feliz. Uma ideia vem como um alento para as minhas manhãs cinzas. Para inaugurar o inverno, me visto de primavera, um esforço em acreditar que engano os olhos que me olham. 
2018
#mulheresqueescrevem #poesia #streetphotography #reflexao #texto #literatura
Madruguei, calcei os chinelos e saí sem a promessa cumprida de café da manhã. Com destino incerto, buscava algum lugar para esconder a minha tristeza. Tomei a primeira rua ignorando seu nome, atravessei becos e esquinas cansadas de noites passadas, as portas dos estabelecimentos entreabertas, ainda em preparo para o dia que tarda em começar. Meu corpo moído de cama mal acolhida, cabelos alvoroçados, no rosto, o que sobrou de resignação. Eu só queria um lugar bem escondido para guardar minha tristeza, a única que me acompanha, até nos momentos mais felizes. Escolho transitar pela praça principal, onde já se podia compartilhar espaço com os primeiros transeuntes do dia, idosos que economizam horas de sono e moradores de rua, mais que acostumados com almas como a minha, que vagam sem acertar. Logo adiante, vestígios de festejos alheios, balões de ar coloridos, desprezados certamente por um desavisado feliz. Uma ideia vem como um alento para as minhas manhãs cinzas. Para inaugurar o inverno, me visto de primavera, um esforço em acreditar que engano os olhos que me olham. 2018 #mulheresqueescrevem  #poesia  #streetphotography  #reflexao  #texto  #literatura 
Não se demore no ponto morto ou minha marcha engata sem você.

2018
#hipertexto
Não se demore no ponto morto ou minha marcha engata sem você. 2018 #hipertexto 
Me lembro bem quando fui indagada sobre a minha loucura. A pergunta abrupta e direta: Eres loca? Eres o no eres loca? Imatura, não consegui responder. Intimamente, tinha certeza que sim e queria dizê-lo com todas as letras. Não tive coragem. Tentei vãs respostas, nenhuma cabia no questionamento do interlocutor nem em suas expectativas. Mal sabia de suas expectativas. Talvez as mesmas minhas. Eu queria dizer: sim, sou louca, muito mais do que se pede, do que se percebe, do que se espera. Sim, sou louca ferrenha, de alma e coração, entranhas, desejos e pensamentos. Sou louca e ponto. Sem a necessidade de explicação. Eu não neguei, mas também não assumi. Essa conversa poderia ter tomado rumo diferente se eu não tivesse me esquivado de ser o que sabia que era. E dali pra frente, foi cada vez mais difícil entender o que vinha sendo. Todo fim tem seu começo.
2018

#literatura #mulheresqueescrevem #texto #memoria #reflexao #hipertexto #literatura
Me lembro bem quando fui indagada sobre a minha loucura. A pergunta abrupta e direta: Eres loca? Eres o no eres loca? Imatura, não consegui responder. Intimamente, tinha certeza que sim e queria dizê-lo com todas as letras. Não tive coragem. Tentei vãs respostas, nenhuma cabia no questionamento do interlocutor nem em suas expectativas. Mal sabia de suas expectativas. Talvez as mesmas minhas. Eu queria dizer: sim, sou louca, muito mais do que se pede, do que se percebe, do que se espera. Sim, sou louca ferrenha, de alma e coração, entranhas, desejos e pensamentos. Sou louca e ponto. Sem a necessidade de explicação. Eu não neguei, mas também não assumi. Essa conversa poderia ter tomado rumo diferente se eu não tivesse me esquivado de ser o que sabia que era. E dali pra frente, foi cada vez mais difícil entender o que vinha sendo. Todo fim tem seu começo. 2018 #literatura  #mulheresqueescrevem  #texto  #memoria  #reflexao  #hipertexto  #literatura 
Ser ou não ser?
Eis a questão.
😏
.

2018
Ser ou não ser? Eis a questão. 😏 . 2018
Quando lhe atormentava a dúvida, de vez em quando também caminhava. É que voar muito às vezes cansa, do alto tudo é visto em elevada perspectiva. Tem dias que ela prefere manter os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Assim, continua alimentando os múltiplos sentidos de ter asas.

2018

#mulheresqueescrevem #texto #literatura #hipertexto
Quando lhe atormentava a dúvida, de vez em quando também caminhava. É que voar muito às vezes cansa, do alto tudo é visto em elevada perspectiva. Tem dias que ela prefere manter os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Assim, continua alimentando os múltiplos sentidos de ter asas. 2018 #mulheresqueescrevem  #texto  #literatura  #hipertexto 
Os berimbaus soavam orquestrados no templo. A canção, simples e profunda, ressoava em coro alegre. Sem sair do lugar, percorri os anos vividos naquele chão. Ali foram derramadas todas as lágrimas de minhas inquietações ancestrais. Ali fui acolhida pelos mais velhos, seres de luz e paciência infinitas. Depositei em seu colo angústias caladas, questões mau remoídas, desamores, carências, medos. Me inundei incontáveis vezes de afeto, bem dizeres e gentilezas sutis. Ali também ouvi das moças que não adianta, pois somos escolhidas, que era preciso saber ser uma antes de ser mais. Que na vida era assim, sem saber querer, não há caminho, nem encruzilhada. Ali dancei com os boêmios, respirei a fumaça de seus cigarros, me perfumei de suas essências, bebi no mesmo copo, gargalhei de suas troças. Maria Eulália após suspense, em carta, revelou que o que eu há muito esperava, viria, enchendo meu coração de esperança e alegria. Ali fui embalada por encantamento, mistério, ancestralidade, humildade, carinho, sinceridade. O tim tim tim dom persistia, as vozes em mantra lembravam "eu vim no balanço do mar lá de Angola, eu vim no balanço do mar lá da Guiné...". Ali reconheci amores, resolvi dissabores, me reposicionei, abençoada pelo toque dos tambores. Ousei falar e ouvir, olhar e ver, vencer o medo, sentir. Tudo no tempo que existe em mim. O "Eu vim no balanço do mar de Moçambique, só quem veio sabe como é." quase findava, meu rosto banhado, estático, ainda do outro lado da fronteira, onde moram as memórias desmanchadas, presentes, todas e tantas, impossível conter as lágrimas. Aos poucos e sem pressa, cada calar de nota sonora, fazia acender uma história, um instante, um pulsar, uma intenção, uma reação, uma experiência, um aprendizado. E eu fui iluminando, por inteira. Reconheço tanto as conquistas como as fragilidades de todo este processo e agradeço cada passo dado, acompanhado de sorrisos e lágrimas derramados nesse chão. Berimbaus silenciados, eu, também em profundo silêncio úmido, projeto seu soar bonito para uma renovação. E sorrio. Por um momento, me sinto plena de fé, esperança e vontade para driblar as inconsistências da travessia.
2018
#mulheresqueescrevem #texto
Os berimbaus soavam orquestrados no templo. A canção, simples e profunda, ressoava em coro alegre. Sem sair do lugar, percorri os anos vividos naquele chão. Ali foram derramadas todas as lágrimas de minhas inquietações ancestrais. Ali fui acolhida pelos mais velhos, seres de luz e paciência infinitas. Depositei em seu colo angústias caladas, questões mau remoídas, desamores, carências, medos. Me inundei incontáveis vezes de afeto, bem dizeres e gentilezas sutis. Ali também ouvi das moças que não adianta, pois somos escolhidas, que era preciso saber ser uma antes de ser mais. Que na vida era assim, sem saber querer, não há caminho, nem encruzilhada. Ali dancei com os boêmios, respirei a fumaça de seus cigarros, me perfumei de suas essências, bebi no mesmo copo, gargalhei de suas troças. Maria Eulália após suspense, em carta, revelou que o que eu há muito esperava, viria, enchendo meu coração de esperança e alegria. Ali fui embalada por encantamento, mistério, ancestralidade, humildade, carinho, sinceridade. O tim tim tim dom persistia, as vozes em mantra lembravam "eu vim no balanço do mar lá de Angola, eu vim no balanço do mar lá da Guiné...". Ali reconheci amores, resolvi dissabores, me reposicionei, abençoada pelo toque dos tambores. Ousei falar e ouvir, olhar e ver, vencer o medo, sentir. Tudo no tempo que existe em mim. O "Eu vim no balanço do mar de Moçambique, só quem veio sabe como é." quase findava, meu rosto banhado, estático, ainda do outro lado da fronteira, onde moram as memórias desmanchadas, presentes, todas e tantas, impossível conter as lágrimas. Aos poucos e sem pressa, cada calar de nota sonora, fazia acender uma história, um instante, um pulsar, uma intenção, uma reação, uma experiência, um aprendizado. E eu fui iluminando, por inteira. Reconheço tanto as conquistas como as fragilidades de todo este processo e agradeço cada passo dado, acompanhado de sorrisos e lágrimas derramados nesse chão. Berimbaus silenciados, eu, também em profundo silêncio úmido, projeto seu soar bonito para uma renovação. E sorrio. Por um momento, me sinto plena de fé, esperança e vontade para driblar as inconsistências da travessia. 2018 #mulheresqueescrevem  #texto 
Urgência 
Ainda me lembro da angústia que se abatia sobre mim ao passar por tuas esquinas preferidas e não te encontrar. Te vi inúmeras vezes em outras de tantos lugares que, com o passar do tempo, por necessidade, fiz questão de esquecer. Te busquei, sem querer, por corpos e nomes que, sem demora, se esvaíram como fiapo de água desperdiçada em torneira rota. Auto desilusões e desleixos. Criação infeliz essa de te reconstruir em outros seres. Eu nada sabia e não ousava. Agora eu sei. Nada existiu a não ser a persistente ideia de que tudo poderia ser possível. Essa ainda é a única urgência que me abala sem me derrubar. Dentro de mim vez ou outra te encontro, pois, sem dúvidas, ainda somos um naquele infinito prometido que não se cumpriu. E no último instante de abraço, ao despedir-nos, senti em seus olhos uma urgência antiga, guardada com o zelo que se dedica ao maior amor do mundo. Amor que fica mesmo quando não pode estar, que engrandece, não pede provas, não açoita, não remedia nem silencia. Amor, que preenche no mais absoluto e inóspito vazio. Amor, que se nutre da lembrança de existir em cor, som, toque, sorriso, olhares e lágrimas. Nada foi em vão. Portanto, com o atraso dos indecisos, renasço. Sinto novo pulsar no peito, generoso e involuntário. E reconheço não poder mais esquivar-me da libertação de você que sou eu. Talvez seja chegada a hora de devolver-me a alegria leve, vibrante e solar daqueles tempos. Essa que tratei de camuflar para poder rever e reter-te em meus escritos e, assim, dedicar-te as mais sinceras linhas de minhas recônditas memórias.

2018

#mulheresqueescrevem #reflexao #poesia #literatura #texto #hipertexto
Urgência Ainda me lembro da angústia que se abatia sobre mim ao passar por tuas esquinas preferidas e não te encontrar. Te vi inúmeras vezes em outras de tantos lugares que, com o passar do tempo, por necessidade, fiz questão de esquecer. Te busquei, sem querer, por corpos e nomes que, sem demora, se esvaíram como fiapo de água desperdiçada em torneira rota. Auto desilusões e desleixos. Criação infeliz essa de te reconstruir em outros seres. Eu nada sabia e não ousava. Agora eu sei. Nada existiu a não ser a persistente ideia de que tudo poderia ser possível. Essa ainda é a única urgência que me abala sem me derrubar. Dentro de mim vez ou outra te encontro, pois, sem dúvidas, ainda somos um naquele infinito prometido que não se cumpriu. E no último instante de abraço, ao despedir-nos, senti em seus olhos uma urgência antiga, guardada com o zelo que se dedica ao maior amor do mundo. Amor que fica mesmo quando não pode estar, que engrandece, não pede provas, não açoita, não remedia nem silencia. Amor, que preenche no mais absoluto e inóspito vazio. Amor, que se nutre da lembrança de existir em cor, som, toque, sorriso, olhares e lágrimas. Nada foi em vão. Portanto, com o atraso dos indecisos, renasço. Sinto novo pulsar no peito, generoso e involuntário. E reconheço não poder mais esquivar-me da libertação de você que sou eu. Talvez seja chegada a hora de devolver-me a alegria leve, vibrante e solar daqueles tempos. Essa que tratei de camuflar para poder rever e reter-te em meus escritos e, assim, dedicar-te as mais sinceras linhas de minhas recônditas memórias. 2018 #mulheresqueescrevem  #reflexao  #poesia  #literatura  #texto  #hipertexto 
Era por uma estrada de terra vermelha que se fazia o caminho para aquela morada. Lá depois de 2 retas e tantas outras curvas que dançam sobre o mapa de chegança. Pelo longo trajeto, um ou outro cão ladra, por implicância ou curiosidade. Um pássaro no ninho espreita os visitantes. No carro, você e eu. Para trás de nós, a poeira que se ergueu para burlar dos olhos do tempo nosso tão pouco secreto esconderijo. Já finda o dia, porém a noite ainda se demora. Enquanto isso, uma garoa se apressa a mostrar-se, o frio se achega devagarinho, amuando os músculos, mas não os desejos. Me aquieto em seu sofá. A paisagem da sua janela nem vejo, tanta beleza encantada do lado de dentro. Te observo nos mais simples detalhes de teu espaço. Cada ação corriqueira que pode dizer tanto ou tão pouco sobre você. Mergulho nessa viagem subjetiva de te descobrir, ainda que no fundo saiba que as possibilidades do fracasso são infinitamente maiores que a do logro. Acostumada a uma certa dose de derrotas, permito mais esse desafio. E continuo a jogada, sem cartadas na manga, esse jogo, um tanto quanto tolo e solitário. A busca pelo amor tem dessas coisas... Perdedora nata dessas situações descabidas e infundadas, quando me dou conta já me encontro imersa. Talvez seja essa distração, a mestra que me mostra meus mais puros equívocos e atrevimentos.

2018

#texto #reflexao #mulheresqueescrevem #diary #nature #lugaresvazios
Era por uma estrada de terra vermelha que se fazia o caminho para aquela morada. Lá depois de 2 retas e tantas outras curvas que dançam sobre o mapa de chegança. Pelo longo trajeto, um ou outro cão ladra, por implicância ou curiosidade. Um pássaro no ninho espreita os visitantes. No carro, você e eu. Para trás de nós, a poeira que se ergueu para burlar dos olhos do tempo nosso tão pouco secreto esconderijo. Já finda o dia, porém a noite ainda se demora. Enquanto isso, uma garoa se apressa a mostrar-se, o frio se achega devagarinho, amuando os músculos, mas não os desejos. Me aquieto em seu sofá. A paisagem da sua janela nem vejo, tanta beleza encantada do lado de dentro. Te observo nos mais simples detalhes de teu espaço. Cada ação corriqueira que pode dizer tanto ou tão pouco sobre você. Mergulho nessa viagem subjetiva de te descobrir, ainda que no fundo saiba que as possibilidades do fracasso são infinitamente maiores que a do logro. Acostumada a uma certa dose de derrotas, permito mais esse desafio. E continuo a jogada, sem cartadas na manga, esse jogo, um tanto quanto tolo e solitário. A busca pelo amor tem dessas coisas... Perdedora nata dessas situações descabidas e infundadas, quando me dou conta já me encontro imersa. Talvez seja essa distração, a mestra que me mostra meus mais puros equívocos e atrevimentos. 2018 #texto  #reflexao  #mulheresqueescrevem  #diary  #nature  #lugaresvazios 
Aquele lugar guardava um cheiro doce e terno. A terra de manhã era fria e molhada, resultado de orvalho recém caído de noites mais frescas que as óbvias no verão. Me chegava uma sensação úmida, que com os primeiros raios de sol me provocava suores destemperados. Sentia meu corpo evaporar aos poucos e da terra emergia um calor de dia que prometia assombrosa alegria. Sim, porque alegria demais assusta, os outros. Eu mesma não me assusto. Meus ombros eretos sustentam os olhares dos invejosos. E caminho como se nada pudesse me abalar. Falo menos conforme as estações passam. Parece que falar demais abafa a alegria, desperdiça a surpresa, inibe a ocasião e espalha maldições, alheias. Daqui só penso em reconciliar-me com meu ser em semi abandono. Recobro de mim o acolhimento merecido, pois ninguém carece mais de meu afago que esta que carrega minha cabeça e meu corpo, vivos. Me acalmo, uma lição por vez, pois junto, tudo vira massa bruta. Eu quero a delicadeza do tempo deleitado, mesmo que nas mais esquecidas memórias. Quero sentir toda a planta dos meus pés no chão, como se tateassem o futuro, que virá sem a ânsia da espera. Quero ares me perpassando de ponta à cabeça, descabelando, alvoroçando a saia, aí onde o movimento se revela. Quero desfalecer-me em plena criação, o instante em que o coração pulsa e os olhos expulsam águas e sais de instintiva alegria, tanto efêmera quanto contagiante. Sem obrigar-me a dizer, mas já tendo dito, o dito mais ligeiro que jamais se viu. Antes de formar desnecessária palavra, já veio e foi. Não se demorou e deixou um engasgo que não deixa dúvidas do desejo de querer. Sem o peso de precisar nada predizer, onde for possível apenas, sentir e ser.

2018

#mulheresqueescrevem #reflexao #texto #literatura #poesia
Aquele lugar guardava um cheiro doce e terno. A terra de manhã era fria e molhada, resultado de orvalho recém caído de noites mais frescas que as óbvias no verão. Me chegava uma sensação úmida, que com os primeiros raios de sol me provocava suores destemperados. Sentia meu corpo evaporar aos poucos e da terra emergia um calor de dia que prometia assombrosa alegria. Sim, porque alegria demais assusta, os outros. Eu mesma não me assusto. Meus ombros eretos sustentam os olhares dos invejosos. E caminho como se nada pudesse me abalar. Falo menos conforme as estações passam. Parece que falar demais abafa a alegria, desperdiça a surpresa, inibe a ocasião e espalha maldições, alheias. Daqui só penso em reconciliar-me com meu ser em semi abandono. Recobro de mim o acolhimento merecido, pois ninguém carece mais de meu afago que esta que carrega minha cabeça e meu corpo, vivos. Me acalmo, uma lição por vez, pois junto, tudo vira massa bruta. Eu quero a delicadeza do tempo deleitado, mesmo que nas mais esquecidas memórias. Quero sentir toda a planta dos meus pés no chão, como se tateassem o futuro, que virá sem a ânsia da espera. Quero ares me perpassando de ponta à cabeça, descabelando, alvoroçando a saia, aí onde o movimento se revela. Quero desfalecer-me em plena criação, o instante em que o coração pulsa e os olhos expulsam águas e sais de instintiva alegria, tanto efêmera quanto contagiante. Sem obrigar-me a dizer, mas já tendo dito, o dito mais ligeiro que jamais se viu. Antes de formar desnecessária palavra, já veio e foi. Não se demorou e deixou um engasgo que não deixa dúvidas do desejo de querer. Sem o peso de precisar nada predizer, onde for possível apenas, sentir e ser. 2018 #mulheresqueescrevem  #reflexao  #texto  #literatura  #poesia 
Acordei hoje como se nada existisse. O quarto semi escuro. Da rua vinham semi ruídos. Meu corpo semi imóvel sentia o contato com o lençol macio. Uma semi lembrança de sonho que insistia em desaparecer. Os olhos semi fechados e o pensamento lá onde não se sabe como chegou nem se quer partir. Respiração branda de aceitação. Ali me encontrava. Em perspectiva, podia ver-me apenas como um corpo que jaz, simplesmente. Do alto, eu imóvel, via a cama girar comigo inúmeras vezes, volta ao mundo a favor e ao contrário do sentido e da falta de sentido das horas. Penso. Não existe um problema. Não existe um sonho. Não existe apenas um problema. Não existe apenas um sonho. Não existe uma saída. Não existe apenas uma saída. Não existe um/uma. Não existe. Nada existe sem perspectiva. Por isso me coloco nela. Porque não sou uma. Não sou apenas uma. E em perspectiva, me contraponho uma frente a outra, aquela frente aquela outra e me vejo dentro e fora de mim, com tudo o que pode dentro e fora caber ou sobrar. Nessa hora transbordo. Enfadonha a existência que se pretende una, apesar de sermos únicos. Antes, no meu semblante, nenhuma mudança, nem apenas uma marca. Agora consigo esboçar sorrisos verdadeiros. Enquanto minhas facetas se escancaram na minha cara, recobro aos poucos a consciência de ser complexa. Mas não dou conta de todas. E me ajoelho diante dos velhos sabedores, que me acolhem com sua voz doce e seu olhar antigo. Lá dentro, vejo-me em perspectiva e aquieto-me. E as águas mais uma vez provam, pois marejo só de lembrar.

2018
#mulheresqueescrevem #texto #reflexao #literatura #poesia #hipertexto
Acordei hoje como se nada existisse. O quarto semi escuro. Da rua vinham semi ruídos. Meu corpo semi imóvel sentia o contato com o lençol macio. Uma semi lembrança de sonho que insistia em desaparecer. Os olhos semi fechados e o pensamento lá onde não se sabe como chegou nem se quer partir. Respiração branda de aceitação. Ali me encontrava. Em perspectiva, podia ver-me apenas como um corpo que jaz, simplesmente. Do alto, eu imóvel, via a cama girar comigo inúmeras vezes, volta ao mundo a favor e ao contrário do sentido e da falta de sentido das horas. Penso. Não existe um problema. Não existe um sonho. Não existe apenas um problema. Não existe apenas um sonho. Não existe uma saída. Não existe apenas uma saída. Não existe um/uma. Não existe. Nada existe sem perspectiva. Por isso me coloco nela. Porque não sou uma. Não sou apenas uma. E em perspectiva, me contraponho uma frente a outra, aquela frente aquela outra e me vejo dentro e fora de mim, com tudo o que pode dentro e fora caber ou sobrar. Nessa hora transbordo. Enfadonha a existência que se pretende una, apesar de sermos únicos. Antes, no meu semblante, nenhuma mudança, nem apenas uma marca. Agora consigo esboçar sorrisos verdadeiros. Enquanto minhas facetas se escancaram na minha cara, recobro aos poucos a consciência de ser complexa. Mas não dou conta de todas. E me ajoelho diante dos velhos sabedores, que me acolhem com sua voz doce e seu olhar antigo. Lá dentro, vejo-me em perspectiva e aquieto-me. E as águas mais uma vez provam, pois marejo só de lembrar. 2018 #mulheresqueescrevem  #texto  #reflexao  #literatura  #poesia  #hipertexto 
Frestas de luz em seu lençol. Anúncio de dia na alcova escura. Horas passaram, sentidas, divididas e sem pressa. Dois em um. Descanso longamente em seus braços. E recebo sem medos todos os abraços. Inspiro profundamente e, ao soltar o ar, te aperto delicadamente contra o peito. Você aceita. Seus olhos fechados parecem sorrir. Eu olho você dormir e peço calma ao tempo. Calma, porque já amanheceu. Calma, porque ainda chove. Calma, porque sentir-me plena tarda tanto que demorar-me mais um pouco não fere o tempo da urgência. E aproveito o silêncio morno para lançar velhas memórias contra as frestas de luz que, agora, tocam meus pés em seu lençol.

2018

#mulheresqueescrevem #texto #luz #photography #literatura #poesia
Frestas de luz em seu lençol. Anúncio de dia na alcova escura. Horas passaram, sentidas, divididas e sem pressa. Dois em um. Descanso longamente em seus braços. E recebo sem medos todos os abraços. Inspiro profundamente e, ao soltar o ar, te aperto delicadamente contra o peito. Você aceita. Seus olhos fechados parecem sorrir. Eu olho você dormir e peço calma ao tempo. Calma, porque já amanheceu. Calma, porque ainda chove. Calma, porque sentir-me plena tarda tanto que demorar-me mais um pouco não fere o tempo da urgência. E aproveito o silêncio morno para lançar velhas memórias contra as frestas de luz que, agora, tocam meus pés em seu lençol. 2018 #mulheresqueescrevem  #texto  #luz  #photography  #literatura  #poesia 
Tá certo. Tudo vira banalidade. E agora, aqui estou, sentada no balcão da velha padaria Santo Amaro, devorando um x tudo, sozinha. Olho em volta, tudo maravilhosamente igual. Cenas corriqueiras de um Rio de Janeiro, úmido e sujo. Antes, carnaval, hoje, cinzas, sem renascimento nem glamour. Maquiagens borradas, purpurinas ainda cintilam em corpos já sem plumas e paetês. Puro desbunde. No fundo, todos exauridos. Nem Deus, nem o Diabo, só um x tudo salva. E lá se vai mais um carnaval, onde tudo parece, mas nada é. E daí? Ninguém parece muito preocupado. Hoje tudo retoma sua mais infinita normalidade. Só penso em dormir. Quando acordar, talvez nem me lembre. Fecho os olhos. Só ficam os ruídos. Já passou? E o filme lento de um passado insiste, incessante. Mas essas são histórias de outros carnavais... E passa mais um bloco, fantasmas bêbados passam em procissão. É tarde. Peço a conta e chamo um táxi. 
2018
#carnaval #mulheresqueescrevem #texto #reflexão #bukoswki #literatura #poesia #hipertexto
Tá certo. Tudo vira banalidade. E agora, aqui estou, sentada no balcão da velha padaria Santo Amaro, devorando um x tudo, sozinha. Olho em volta, tudo maravilhosamente igual. Cenas corriqueiras de um Rio de Janeiro, úmido e sujo. Antes, carnaval, hoje, cinzas, sem renascimento nem glamour. Maquiagens borradas, purpurinas ainda cintilam em corpos já sem plumas e paetês. Puro desbunde. No fundo, todos exauridos. Nem Deus, nem o Diabo, só um x tudo salva. E lá se vai mais um carnaval, onde tudo parece, mas nada é. E daí? Ninguém parece muito preocupado. Hoje tudo retoma sua mais infinita normalidade. Só penso em dormir. Quando acordar, talvez nem me lembre. Fecho os olhos. Só ficam os ruídos. Já passou? E o filme lento de um passado insiste, incessante. Mas essas são histórias de outros carnavais... E passa mais um bloco, fantasmas bêbados passam em procissão. É tarde. Peço a conta e chamo um táxi. 2018 #carnaval  #mulheresqueescrevem  #texto  #reflexão  #bukoswki  #literatura  #poesia  #hipertexto 
Se joga!

Seguindo as orientações do caminho. 
2018

#amor #arteconceitual #conceptualart
Na contramão do estático. Correndo para não demorar-me tanto. Pressa para desvendar mais mar e pedras. Navegar e trilhar, sem fronteiras. Margear o fluxo das águas, incessantes em seu curso de se derramarem sobre outras desconhecidas. Mais passos. Certeza de (des)caminhos. Sentimento de desterro. De onde vim, não me deixa duvidar que posso chegar aonde quiser. E sigo brincando com as palavras, novas e nossas palavras. Perguntas escasseiam quanto mais profundo se escondem as memórias. Parece que não, mas sempre cabe mais. Sentimento e memórias, tortos. Linear mesmo só o horizonte se camuflando em puro breu cravejado de estrelas sorridentes. Tantas que perco o ar. Somos ínfimos e infinitos. E se paro para pensar, até vejo tamanha insignificância e grandeza. É que nada está parado, principalmente o que não se vê. 
2018

#valedocapao #bahia #mulheresqueescrevem #texto #reflexão #literatura #poesia #hipertexto
Na contramão do estático. Correndo para não demorar-me tanto. Pressa para desvendar mais mar e pedras. Navegar e trilhar, sem fronteiras. Margear o fluxo das águas, incessantes em seu curso de se derramarem sobre outras desconhecidas. Mais passos. Certeza de (des)caminhos. Sentimento de desterro. De onde vim, não me deixa duvidar que posso chegar aonde quiser. E sigo brincando com as palavras, novas e nossas palavras. Perguntas escasseiam quanto mais profundo se escondem as memórias. Parece que não, mas sempre cabe mais. Sentimento e memórias, tortos. Linear mesmo só o horizonte se camuflando em puro breu cravejado de estrelas sorridentes. Tantas que perco o ar. Somos ínfimos e infinitos. E se paro para pensar, até vejo tamanha insignificância e grandeza. É que nada está parado, principalmente o que não se vê. 2018 #valedocapao  #bahia  #mulheresqueescrevem  #texto  #reflexão  #literatura  #poesia  #hipertexto